quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Pelé, tetra e penta campeões e a ALIENAÇÃO geral

                        
Existe sim a inveja de muitos dos jogadores que jamais foram uma nesga do que foi o Pelé.

Existe também a raiva dos muitos que foram criticados por ele.

Existe a soberba dos que ganharam seus milhões e não dão a mínima para nada e nem pra ninguém.
O futebol foi um trampolim para o dinheiro e fim.
"O que o mundo tem a ver com o que eu faço da minha vida?".

Eu poderia dar mais exemplos.

Mas essa história mostra algo que já rola há tempos nos nossos planos pessoais e essas situações provam que a coisa é global: a ALIENAÇÃO.
De alguma maneira muitas pessoas não dão a mínima pra nada. Creio que nem por maldade.

Na Sociologia, o conceito de alienação está intimamente relacionado aos processos de alheamento do indivíduo que surge por diversos motivos na vida social. Isso leva ao alijamento da sociedade como um todo.

O estado de alienação interfere na capacidade dos indivíduos sociais de agirem e pensarem por si próprios. Ou seja, eles não têm consciência do papel que desempenham nos processos sociais.

Do latim, a palavra “alienação” (alienare) significa “tornar alguém alheio a alguém”. Atualmente, o termo é utilizado em diferentes áreas (direito, economia, psicologia, antropologia, comunicação, etc.) e contextos.

Repetindo: "O estado de alienação interfere na capacidade dos indivíduos sociais de agirem e pensarem por si próprios. Ou seja, eles não têm consciência do papel que desempenham nos processos sociais."

Não há mais consciência dos processos sociais.
Apenas a ânsia de stalkear e/ou postar nas redes sociais.

Não é necessário visitar um bebê. Um like numa foto e está tudo certo.

Não é necessário justificar uma ausência ou uma "gelada" na cara dura em uma mensagem (algo que necessitaria de alguns míseros cliques pra responder). Uma postagem com uma homenagem fajuta e beleza.

Não é necessário uma ação social que acabe realmente com a fome ou o frio de alguém. Um compartilhamento sobre alguma campanha e já fiz a minha parte.

Pra que adotar um animal de rua? Compartilhar o post de um amigo já faz a vez.

Ser gentil, se preocupar minimamente, ter senso? Pra que!? Uso e abuso quando quero e é vida que segue.

E por aí vai.

Talvez tenhamos que buscar um contato maior com o real. Com a natureza. Com os nossos pais e/ou avós. Com gente necessitada.
Pra que assim possamos voltar a entender o que é o que.

Muita gente perdeu a referência e vê as pessoas meio que como nada.
O trabalho como uma passagem pra outra coisa.
A família como algo que apenas está ali.
E a vida passa.

(Só um adendo: em fevereiro de 2022, na final do Mundial do Palmeiras agora, eu estava num evento e do nada vi um cara perto de onde eu estava e ele falou que era palmeirense.
Meio que não estava nem aí para o jogo. E eu tocando e meio que ouvindo o jogo.
Daí eu ouvi algo como: "Tem que ganhar pra acabar com as piadas".

E continuou por ali tomando uma.

Algo bizarro. Um exemplo dessa alienação e dessa apatia atual.
Me lembro da zona que aprontamos em 1992, 1993 e 2005... não é algo que acontece sempre... mas estávamos vivos. Bem longe dessa apatia e dessa alienação atual.
Voltando...)

É a pessoa que vai pra um encontro e fica de olho no celular.

Muitos de nós somos os caras do tetra e do penta.
Meio que sem saber de onde viemos, o que somos e qual a nossa relação com a sociedade.

Longe de mim cagar regra... mas existem protocolos sociais sim. Mas precisamos entender, de novo, isso.
E atualmente explicar isso me parece uma tarefa hercúlea.

Há uma frase na música Not For You do Pearl Jam que diz o seguinte:
🎵 Não dá pra escapar das regras comuns
Se você odeia alguma coisa, não faça você também 🎶

Não dá pra dizer que esse processo de alienação vem apenas pela Internet, mais especificamente das redes sociais.
Sim. Elas têm um peso absurdo.
Mas por elas que estamos interagindo agora, nesse exato momento. Têm o seu valor.

A alienação pode ser fruto da fragilidade da vida explicitada pela pandemia, pode ser fruto de uma sociedade mais abastada (existem dificuldades, mas a vida hoje é bem mais fácil do que antes), pode ser pela falta de perspectiva como ser humano num mundo sem cultura e sem heróis que possam nos representar... não sei.

Mas precisamos de algo a mais pra acordarmos e vivermos de verdade.

Algo que faça com que você, como diz o nome do terceiro álbum do Oasis, ESTEJA AQUI AGORA.
Com que estejamos aqui agora.

Uma coisa é verdade: o povão estava lá.
O povo está em outra. E isso é bom.
Deixa um mínimo de alento.

Em muitos setores ainda há o senso. Ainda existe consideração. Existe um mínimo de gana.

Abraço e obrigado pela leitura.

Atenciosamente,

Rafael.

imagem: Melancolia (1891) de Edvard Munch
óleo sobre tela
Melancholy
norueguês: Melankoli




terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Futebol e a sociedade

"Quem se aliena de si próprio não é capaz de moldar a história a seu favor, mas será moldado pelos demais, e a preponderância do azar é a consequência dessa passividade."
(Felipe Quintas) 

Futebol e a sociedade 

De 94 a 2002 chegamos em 3 finais e ganhamos duas das três. 

(É uma geração de respeito também. Assim como os que de 58 a 70 ganharam 3 de 4 Copas.) 

Principalmente o time de 1994 que tirou o Brasil de um jejum de 24 anos. 


Pergunte pra qualquer um: as pessoas sabem mais do time de 1994 do que do de 2002. Talvez pela secura, talvez pelo bom horário dos jogos... 

Foi um time que teve se fechar em torno de um projeto. 
Um time que tinha um esquema tático bem definido e um meio de campo que protegia demais a defesa. 
Esse time tomou apenas 3 gols na Copa. 

Não tinha brincadeira. Os jogadores entravam de mãos dadas. Concentrados. Muitos estavam em 1990 e queriam acabar com o estigma da tal "Era Dunga". 
Já disse o PIL em "Rise": "Anger is an energy!!!".
Havia a humilhação. A vergonha. A raiva. Não por acaso quando pegou a taça Dunga explodiu: "Ganhamos essa porra!". 

Com muito mais vigor do que o celebrado, multi-milionário, funcionário do Emir do Catar e com uma roupa dada pelo próprio dono do país e do PSG. 
Sem zueira: torci pela Argentina (por ser contra a França) mas após o jogo não senti nenhum vigor na comemoração. 
Tipo o Dunga xingando, Romário já pegando a taça ou o Cafu improvisando e subindo no púlpito e escrevendo na camisa... enfim voltando: 

Parreira colocou Dunga no mesmo quarto que Romário pra colocar um mínimo de disciplina na cabeça do atacante.
Romário jamais fugiu da responsabilidade: saiu daqui falando que se perdessem a culpa seria dele. 
Tinham foco... lembro do filme oficial da Copa: "Todos os Corações do Mundo", que aliás fomos assistir no cinema, mostrando o túnel antes da final. 
Baggio encara Romário que não vira o rosto um centímetro para o lado. Foco.
(Um detalhe: vendo no cinema por ângulos bem doidos, mesmo sabendo dos resultados, dava a impressão de que podia sair algum gol... maluquice, eu sei. Ou medo após 24 anos de jejum... sei lá.) 

O Brasil não tinha mais nenhum respeito. 
Se Mbappé debochou da América do Sul em maio agora, na época Lothar Matthäus debochou do Brasil falando que era um time que jogava bonitinho, fazia alguns dribles e gols bonitos mas que não teria como vencer a Copa (talvez lembrando da geração de 1982). Lembro na comemoração no ônibus o Parreira mostrando a taça pra câmera e falando: "Oi Matthäus!". 
(Detalhe: não precisamos de pênalti roubado após levar ferro em duas finais como os alemães...)

Havia uma raiva, uma esperança, um foco. Na seleção e no país. 

Senna havia morrido, o Real tinha sido implantado pra conter a hiperinflação (Galvão até falava: "Valorize o seu Real, os preços vão baixar!), bem ou mal vivíamos sob um governo eleito pelo povo, após 21 anos de ditadura, afinal Itamar era vice do Collor e todo mundo acreditava em dias melhores. 

O SPFC (sem clubismo) havia mostrado que era possível chegar ao topo do mundo derrotando o poderoso Barcelona de Koeman (que estava nas quartas de 1994) e Stoichkov (búlgaro, um dos destaques da Copa) em 1992 e o Milan em 1993. O Milan era meio que a base da seleção italiana de 1994. 
Já conhecíamos Massaro (que teve o pênalti defendido por Taffarel) e outros.
Telê e Cerezo já haviam sido justificados. 

Havia uma esperança. Não era impossível vencer. 

Nos campos, na sociedade e na vida. 

Hoje em dia fica a pergunta: estamos lutando (jogando) pelo que? 

Estamos como essa seleção. Sem uma motivação real. 
Com nossas dancinhas para o TikTok, comendo nossas carnes mais caras, fazendo intervenções estéticas pra lá de fúteis, com televisores de 100 polegadas que parecem cada vez menores e completamente sem identificação com nosso passado e/ou realidade. 

Antes havia prazer numas linguiças, numa macarronada, num casamento com aquelas maravilhosas batatinhas em conserva e cerveja com gelo e serragem (pra conservar o gelo) num tambor e água no outro pra lavar a garrafa e o antebraço.
Havia prazer em assistir numa TV de 14 polegadas. O fato de ser colorida já era algo a ser celebrado.
Hoje nada dá prazer pra muitos. 

Quando somos postos à prova, mesmo vencendo, não aguentamos a pressão e mostramos nossa fragilidade escolhendo mal e desabando.
Como o Brasil com a Croácia. Com gol faltando 4 minutos e com pênaltis bem mal batidos. 

Veja os pênaltis de 1994 contra a Itália e 1998 contra a Holanda. Foco, força, segurança.
De alguma maneira, a seleção brasileira é um espelho do país. 
Gente que não quer ficar aqui, que não se identifica com o país, mas que sequestraram a camisa amarela e a própria bandeira nacional. 

Gente que ajuda o filhão colocando em um bom posto, sem pensar em nada.
Gente que vira as costas e sai correndo quando dá tudo errado. (Tite) 

Dava pra fazer mais analogias, mas está bom.
Vejamos como nos comportaremos como nação no próximo ano. 

Pensando bem, isso meio que se reflete na seleção. 

Pirei um pouco, mas não muito. 

Cito mais uma vez o Felipe Quintas, que me inspirou a escrever esse texto:
"Não acho que o problema brasileiro de hoje seja técnico, econômico ou o que seja. No futebol, nosso time era de longe o mais habilidoso de toda a Copa, e recursos não faltavam. No Brasil em geral, a mesma coisa. Temos tudo, mas nos falta o essencial: ser. Ser brasileiro. Ser o melhor de nós mesmos. Quando o Brasil é brasileiro, coloca o mundo a seus pés, como colocou no tricampeonato. Quando não é, se torna mais um, e a mediocridade, que é virtude para países menores, para nós, gigantes pela própria natureza, é a doença que nos abate e nos derrota."

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Carne folheada a ouro, patrulhamento, hipocrisias e a insuportável dicotomia

O que é luxo?

Uma canelada: particularmente não vejo muito sentido nesse patrulhamento sobre os atletas e ex-atletas da seleção brasileira de futebol masculino e a tal carne com ouro.

                         pecado mortal 

Esses caras são multi-milionários. Com certeza têm muito mais extravagâncias do que esse prato.
Bebidas.
Relógios.
Objetos de decoração.
Carros.

Do nada, cria-se um furor por algo que rola adoidado... e que rolou num país onde a ostentação é quase que parte do inconsciente coletivo.

A fome é algo brutal, não há dúvida.

Mas não há sentido nesse patrulhamento.

Me lembro de quando surtaram pelos vinhos do Zé Dirceu.
Agora falam do relógio do Lula.
Alguns falam da conversa do Bolsonaro sobre Jet Ski.
(Se não entendeu a citação dessas figuras apenas como exemplificação da dicotomia e da indignação seletiva, e vier defender a ou b, será bloqueado)

Temos que tomar cuidado porque, do nada, podem achar que os seus pequenos luxos também são uma extravagância, uma excentricidade.

Ir a um restaurante ou uma churrascaria normal é lícito ou também é luxo?
De repente você podia doar o valor daquela refeição pra debelar a fome (mesmo que momentaneamente) de algumas pessoas.

Brindar com uma espumante mais cara é lícito ou também é luxo?
De repente você podia doar o valor daquela espumante pra debelar a fome de algumas pessoas.
E talvez só brindar com uma espumante bem baratinha. Ou nem isso.

E aquela sua viagem? E aquela roupa? E aquela TV nova?

Enfim... vocês entenderam.

⚠️Longe de mim defender milionário, mas não dá pra achar que um luxo resolveria o problema da fome.
É tosco? Obviamente.
Mas não menos tosco do que o Ronaldo no motel com travestis. (Digo pelos gastos... não dou a mínima pela opção sexual)
Não menos tosco do que a tatuagem anal da Anitta. (Digo pelos gastos... não dou a mínima pela região tatuada)
Ou a Lamborghini rosa da Melody.
Não menos tosco do que a fachada da casa do Gusttavo Lima.
Ou talvez a coleção bilionária de carros do Nick Mason (Pink Floyd).
Ou a coleção de motos do Keanu Reeves.
Não menos tosco do que mil coisas... tem o helicóptero do Neymar com a logomarca.
O triplex dos Marinho donos da Globo.

Enfim...

Debelar a fome é uma obrigação do Poder Público.
Criar consciência social também. Com a ajuda da sociedade.
Sócrates sonhava em mudar a mentalidade dos atletas.

Penso que se houvesse identificação com os atletas da seleção, muito provavelmente não haveria tanta falação.
Talvez até houvesse uma brincadeira, um carinho pelo ex-meninos pobres que "venceram" na vida.

Mas não. Há um ressentimento. A CBF é um antro.
Ronaldo apoiou Aécio.
Parte dos caras é bolsonarista... aí fica esse papo.

Bilionário não deveria existir. O Brasil tem 206... com R$1.200.000.000.000,00 de patrimônio.
Grandes fortunas devem ser taxadas. (Está na Constituição...

SEÇÃO III
DOS IMPOSTOS DA UNIÃO
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar.)

O resto é, na minha visão, tontice.

Todo mundo gasta e tem seus luxos e luxinhos.

Muito pior do que jogador e essa tal carne de ouro, é político gastar R$157.000,00 em tratamento dentário (bem mal explicado) com tudo pago pela Câmara.
Aliás esse mesmo cidadão, pastor Marco Feliciano, fez tratamento estético à base de gel de ouro.



Mas isso foi em maio de 2014. 
Antes da reeleição da Dilma que deixaria esse país fraturado e com essa dicotomia insuportável.

Cuidado com a hipocrisia. Ou logo você também será julgado.

Fui.






quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Déficit Civilizatório

2.709.736 a mais em São Paulo 

"O esforço para depreciar quem pensa diferente é um déficit civilizatório" (Luís Roberto Barroso) 

Quando atacam (como em 2014) os nordestinos e o Nordeste, não atacam só aquela região do país e seus moradores... atacam também os 10.490.032 de compatriotas que, usando o seu direito garantido pelo Constituição de livre escolha, moram aqui no estado de São Paulo e votaram no adversário do candidato que apoiam. 

Na verdade atacam todos os outros 14.949.725 de votantes que votaram em outros candidatos, em branco e até nulo. 
Assim, atacam também a MAIORIA dos votantes daqui que não escolheram o candidato deles. 
Que é bem maior que eles... com 2.709.736 de votantes a mais. Não é pouca coisa.

Estão bem longe de uma de um pretensa hegemonia. Bem longe.

Deviam pensar mais. 
Deviam respeitar o processo democrático e as pessoas. 

"O esforço para depreciar quem pensa diferentemente é um déficit civilizatório. Quem pensa diferente de mim só pode estar mal intencionado ou com motivação indevida: é errada essa forma de pensar. Precisamos evoluir. Discutir o argumento e não a pessoa. É assim que se vive civilizadamente."
(Luís Roberto Barroso)

terça-feira, 5 de julho de 2022

BANHEIRO PRA TRANS

Me lembro de quando eu lia que "No Brasil o povo pensa mais em bem estar... nos EUA eles pensam mais em costumes." (Sobre eleições).

Talvez a coisa fosse assim. Éramos um país cheio de necessidades... não havia tempo e dinheiro pra que pensássemos em certas situações.

O tempo passou, o país melhorou e hoje estamos no mesmo ponto dos EUA naquela época.

Estamos discutindo liberdade de expressão, sexualidade e afins... apesar do país estar moído (quem entra num supermercado sabe... quem olha para a vida pelo vidro do carro também sabe bem).

O progressista de goela pega uma frase de um conservador e martela naquilo.
O conservador de araque pega uma frase de um progressista e martela naquilo.

E assim aumentamos a fratura na sociedade.

O progressismo não pode ser encarado apenas como "putaria aberta" e defensores de trans, assim como o conservadorismo não pode ser visto "doentes por armas" e anti-povão.

Mas é o que acontece. É como a situação se desenha pra que ninguém sente e converse. Pra que ninguém entenda que 80 ou 90% das coisas que queremos SÃO AS MESMAS: exatamente o que está no artigo 6°.
"São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição."

Claro que não é correto só falar de emprego e esquecer das pautas (seja de lado a e b). Mas quando não se pensa nisso acontece o que está acontecendo agora. Fratura na sociedade, dificuldade para os desempregados, alimentos caríssimos, combustíveis com preços irreais e umas conversas pra lá de malucas.

Escrevi esse vídeo porque vi um vídeo daquele vereador de Belo Horizonte falando sobre pessoas trans em banheiros femininos.
Não há muito o que ser corrigido na fala dele. (Logo contarei uma experiência minha com isso.)
Esse discurso é atraente para muitos. Pega-se uma situação e ataca-se toda uma corrente de pensamento.
Nicolas, na verdade, é um fundamentalista religioso que adoraria misturar Estado com religião (com a religião dele).
É um liberal. E está focado em subir na política (não duvido que logo vire deputado federal ou senador).
E sabe pegar em temas sensíveis pra manter a sua base excitada.

Assim como inúmeros esquerdistas que nem querem assumir o Poder. Querem mais é ficar numa eterna oposição e "pregando no deserto". Excitando sua base mas não fazendo nada de concreto pra ajudar o cidadão.
Por que discursos como o do vereador funcionam?

Certa vez aqui em Sorocaba havia um figura que se declarava como mulher, apenas punha um vestido e zanzava pra lá e pra cá celebrado pela galera que acha que isso que é progressismo (na verdade é só bebedeira, pseudo-anarquia e falta de vontade de mudar de vida pra ajudar o pai, a mãe ou quem banca a casa)... algo pra lá de ridículo. Com bigodinho e tudo mais.
Mas eu não queria encrenca e não falava bosta nenhuma.

Até que um dia ele (sim, ele) entrou num banheiro feminino... a maior parte da meninada celebrou e achou lindinho... aquelas merdas de sempre. Mas houve quem se incomodou... houve quem ficou p da vida. Até quis reclamar mas achou que não daria muito certo... afinal hoje existe o massacre nas redes sociais e tudo mais. Era uma era onde o tal "cancelamento" estava sendo desenhado.

Enfim. Ali pode ter nascido um eleitor avesso a esse pseudo-progressismo... por que não!? É na urna que o eleitor se manifesta silenciosamente. É ali que ele desabafa.

Mas o pior da história é que tempos depois vi esse rapaz no shopping com calça jeans, jaqueta de couro e camiseta branca (numa onda "anos 50")... com uma garota! Do nada era um rapaz, um homem, de novo.

Então quem estava no banheiro estava certa de ficar brava.

(ESSE É O PONTO... LEIA COM ATENÇÃO!)
Obviamente não dá pra generalizar toda uma luta por um imbecil.
Mas temos que repelir esse tipo de imbecil. Pra que ele não gere material pro outro lado.

Assim como um liberal, um direitista, não devia tolerar grosserias de qualquer mandatário só pra não enfraquecer o "seu lado".

Mas ninguém pode falar nada. Se eu falar isso, vou fortalecer aquilo.

Isso é maluquice. A pluralidade começa no seu próprio ambiente. Ou você está lascado.

Por isso que o país virou terreno fértil pra extremistas.

Do nada estamos discutindo situações hipotéticas (banheiro pra trans e afins) e não pensamos em mais nada.

Certa vez uma moçoila veio com uns papos se eu ficaria ou não com uma trans ou com travesti. Bem questionadora.
Respondi que era casado e não tinha nem como pensar em algo assim.
Ela continuou azucrinando e eu sacaneei... "Pega você. Por que não namora um? Até onde sei seu namorado não tem um pingo de transsexualidade... é bem heteronormativo". Ela parou e saiu da mesa logo depois... nem vi com maldade... era só pseudo-progressismo com cocaína.

O fato é que cansa. Sabe? Aquele tiozão pagando de conservador, de moralista e que tem amante, dá a bunda e cheira pra caralho?

Ou aquela feminazi que no fim quer o macho alfa que paga tudo?

Enfim... eu podia dar mil exemplos mas não quero me alongar.

Sobre o banheiro? Não sei. Tenho as minhas convicções e creio que ainda teremos muita luta pra fazer com que situações assim não ocupem tanto tempo.

A violência é uma merda e acontece além de banheiros.
Recentemente tivemos a moça espancada no local de trabalho. Ainda bem que meteram o cara na cadeia.

Esse é o ponto. Cumprimento das leis. Ninguém agride ninguém ou pagará caro. Homem, mulher, trans...

Ou ficaremos sempre reféns dessas pautas e de oportunistas. Na política e no dia-a-dia.

Mudando um pouco mas aproveitando o ensejo: vejo essa galera mudando totalmente o rosto, tatuando tudo, mudando língua... haverá um tempo não muito distante onde não será mais possível reconhecer uma pessoa por um RG. Aí inventarão algo como um leitor portátil de íris ou teremos a obrigatoriedade de ceder nossas impressões digitais. Pra não segregar essas pessoas.

Andei vendo muitas matérias sobre essa galera. Tipo: "Diabão e Mulher Demônia acreditam em Deus" e outros tipos de maluquices... e sempre me pergunto o porquê. Nada é por acaso.
Sempre que você vê algo na mídia e nas redes, tem que se perguntar: "Por que estou vendo isso? Qual a intenção de empurrarem isso pra mim"?

Ou ser mais um na multidão.

Aos extremistas de ambos os lados o meu sincero FODA-SE.
O mestre John Cleese já disse que moderados são odiados por ambos os lados.

Esse vídeo dele devia ser obrigatório.

Fiquem bem. Cuidem uns dos outros. Um dia de cada vez.
Antes de arrumar o mundo, arrume o seu quarto.

Beijos e abraços.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

⚜ LEVANTA-TE E ANDA!


POSTEI ESSE TEXTO EM 2018 e repito a dose... que sirva a algum coração aflito. 
Em época de Natal e de pensar em Jesus (o que quase ninguém mais faz... é só consumismo, Papai Noel - que foi popularizado pela Coca-Cola, comilança e picuinha) fica uma historieta triste mas que pode servir de impulso pra alguém... 

A foto não é da moça. Peguei aqui na Internet...

{ Certa vez eu estava num bar (onde eu toquei por anos em São Paulo) e uma moça chegou com um bolo, decorou parte do salão com umas bexigas e sentou em uma grande mesa...

A noite foi passando e nada de chegar alguém.

Em determinado momento o gerente avisou que tirariam uma mesa... depois outra... depois outra... até que ficou apenas uma.

Quase no final da noite ela chamou o gerente e perguntou: "Vamos cantar os parabéns?".

Pegaram o bolo, todos garçons ficaram em volta da mesa, cantaram, comeram e ela foi embora.

Do palco eu a vi indo embora sozinha em direção ao seu carro. Naquela noite creio que a vida dela mudou.

Como disse o Mestre na Palavra:

[ Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas.
Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio;

Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.
Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes.
E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados.

Mateus 22:4,5-8,10 ]

A vida segue. Alguém não quis? Chame outra, outro, outras e outros e anda.

LEVANTA-TE E ANDA! }

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

A esquina da feira

Durante anos trabalhei na feira livre.

Aos domingos era na frente dessa casa de esquina que ficava parte da banca onde eu trabalhava... bem em frente dessa placa de sentido obrigatório...

Era legal esperar alguns dos meus amigos da época que sempre passavam por ali após a missa... ficavam sentados/encostados no murinho (que ainda não tinha o portão) só falando besteirada... alguns comiam um pastel e falavam das meninas (90% dos assuntos era isso), de casos engraçados e sobre a noitada que viria... ia todo mundo na ADPM (milhares de jovens dançando os famigerados passinhos e depois as lentas... com situações engraçadas e constrangedoras que nenhum filme, nem de drama ou de comédia, jamais conseguiu reproduzir)...
Muitas vezes passo em certos lugares e quase que vejo as pessoas e as cenas acontecendo... quase que uma visão do passado, do multiverso... ou só uma imaginação fértil regada à cajibrina... mas nessa esquina não consegui ver muita coisa. Mesmo me esforçando.

Sem dúvida existem lugares e situações que geram uma memória afetiva... mas na maior parte das vezes são as pessoas.
É tudo sobre pessoas.

Adianta ir até aquela praia agora? O que terá lá? Mar, areia, uma praia mais urbanizada, ou mais conservada, ou mais depredada... talvez mais elitizada... mas jamais haverão aqueles sorrisos, aquelas baboseiras, aquele beijo...

Aquela chácara, aquele barzinho, aquela casa... não são nada. São imóveis... sem vida. Incapazes de gerar gargalhadas ou choro... no fim o que vale são as pessoas. (Tudo bem que algumas não valem nada no fim. Mas isso já é outra história...)

Há tempos li na VIP um texto comovente do Fábio Hernandez (pseudônimo do saudoso Paulo Nogueira que depois fundaria o DCM) que falava sobre "a" esquina... depois postarei inteiro aqui. 
Falava sobre como um dia ninguém mais foi...

"Nós não nos despedimos. Apenas um dia deixamos de aparecer naquela esquina em que cabia o mundo, e à qual às vezes volto, na imaginação e na saudade, em noites frias e escuras na busca do calor e da luz que a mera lembrança dos meus amigos traz."

Um dia saí da feira... mudaram meus círculos sociais... minhas metas, minhas companhias... tudo.

A feira era um tipo de teatro... a esquina um tipo de palco... e nós os atores iniciantes e canastrões buscando algum destaque... muitas vezes sendo ajudados pelo Diretor,  outras vezes O ignorando completamente... e sofrendo todas as consequências disso.

Aquele ato terminou há tempos. E seguem outros.

Pessoas. Pessoas. Sempre pessoas.

Talvez meu esforço pra tentar rever aqueles moços ali no murinho é uma busca por uma nesga do que fui e do que senti em tempos mais pueris.

Porque como disse o Russo, mesmo crendo com minha alma que o melhor tempo é o agora, esses são dias desleais.

Mas creio em Deus. Creio no amor. E ainda creio em algumas pessoas.

Amém. Amem.